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Você sabe tudo sobre o HPV?

Você sabe tudo sobre o HPV?

Muito se fala sobre o papilomavírus humano, o HPV, mas poucas pessoas conhecem de fato o que esse vírus pode afetar na sua vida. Dados de um estudo realizado pelo  Ministério da Saúde mostram que 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados pelo HPV. A transmissão acontece nas relações sexuais, no contato direto com a pele ou as mucosas (boca, genitais, etc). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), existem mais de 150 tipos de HPV diferentes, sendo que 12 variedades podem causar câncer. Cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero são causados pelos HPV 16 e 18, ambos preveníveis pela vacinação.

A médica do Departamento de Cirurgia Oncológica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Audrey Tieko Tsunoda, explica os cuidados que todos devem ter em relação a essa infecção que é mais comum do que muita gente imagina.

Por que o HPV é tão comum?

O vírus do HPV é facilmente transmissível, basta um contato sexual para contraí-lo. Estima-se que 80% das pessoas sexualmente ativas já tiveram algum contato com um vírus do HPV. Na maioria das vezes, o próprio organismo através das suas defesas (imunidade) elimina o vírus. Manter o corpo e a mente sadios, evitar o sedentarismo, combater o tabagismo, o uso de álcool e outras drogas são medidas importantes para eliminar o vírus.

Ele causa somente o câncer de colo de útero?

Não. O HPV é a principal causa de câncer nos lugares de contato sexual como boca, faringe, pênis, vulva, ânus, dentre outros. Não é necessário que haja relação sexual com penetração para que haja a contaminação pelo vírus. Os locais de contato sexual podem ser contaminados pelo vírus e, quando a imunidade não consegue eliminá-lo, ele persiste e causa as lesões.

O HPV também pode ser responsável por tumores masculinos?

Sim. Tumores no pênis, no ânus e na boca em homens são frequentemente causados pelo HPV. Daí a necessidade de se vacinar os meninos também.

Quais os principais sinais de tumores relacionados ao HPV para o diagnóstico precoce?

O problema maior é que a infecção pelo HPV geralmente não tem sintomas e os tumores iniciais também passam despercebidos. Quando um tumor dá sintomas, como caroços ou nódulos, ele pode estar em estágios mais avançados. Então é muito importante se prevenir tomando as vacinas anti-HPV, mantendo relação sexual protegida e realizando exames de prevenção regulares.

Quais as ações para reduzir o risco do HPV?

Educar é preciso! Os países onde a vacina é utilizada em larga escala e os exames de prevenção são eficientes, como na Austrália, estão conseguindo erradicar o câncer de colo uterino. No Brasil, a vacina anti-HPV é oferecida na rede pública gratuitamente, incluída no calendário vacinal, durante o ano todo, desde 2014. Para as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos, são duas doses da vacina, com intervalo de seis meses. As pessoas que convivem com o vírus do HIV, que receberam transplante de órgãos ou medula óssea, e que tiveram câncer, podem receber a vacina dos 9 aos 26 anos de idade.

Manter o uso de camisinha e comportamento sexual mais seguro reduzem o risco desta e de outras doenças, além de evitar uma gravidez indesejada. Conhecer o HPV e suas consequências é o primeiro passo para resolvermos esta questão.