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Pacientes do IOP contam agora com Oncologia Ortopédica

Tratamentos visam proporcionar maior qualidade de vida para pacientes e em alguns casos cura

A Oncologia ortopédica tem uma história relativamente recente. Surgiu no Brasil, como organização, em 1988, mas já havia alguns médicos que atuavam na área de tumores, um grupo de profissionais conhecido como Comitê de Tumores Ósseos. É uma área da ortopedia que estuda e trata os tumores que acometem os ossos, músculos, tendões, cartilagens, ligamentos, nervos, vasos. Segundo o ortopedista Diego Pereira Sanches, especialista em Neoplasias Muscoloesqueléticas, “A oncologia ortopédica não trata somente as lesões que acometem o osso, mas sim lesões musculoesqueléticas, tratando de tudo o que for da parte esquelética e de extremidades de partes moles, conhecidas como lesões neoplásicas de partes moles ou sarcomas, quanto a lesões acomatosas de origem óssea”.

“As metástases (tumores secundários) infiltram-se no osso que aos poucos acaba danificado. O objetivo da oncologia ortopédica é o tratamento de salvamento de membro (limb salvage)” – Dr. Diego Sanches

As lesões de partes moles malignas são chamadas sarcomas. A especialidade também cuida dos tumores benignos, como é o caso dos lipomas, de origem lipomatosa de gordura. O objetivo da oncologia ortopédica é o tratamento de salvamento de membro – Limb Salvage – mas também visa proporcionar o retorno da qualidade vida por meio de técnicas cirúrgicas modernas e com os mais avançados e atuais materiais cirúrgicos. A técnica cirúrgica de salvamento, que mantém o princípio oncológico de ressecção com margem, procura fazer com que a doença não evolua para a amputação do membro, mantendo-o funcional para o paciente. O médico destaca que “hoje, não temos somente a paliação, mas também a cura”, ele ainda explica que “a oncologia ortopédica se diferencia basicamente de duas maneiras: lesões primárias – que nasceram no osso, tendões, ligamento, vasos ou nervos – e lesões secundárias – que são as que vieram de outro local, como as metastáticas, por exemplo, sendo que para pacientes metastáticos é necessária uma abordagem também com o oncologista clínico, a fim de definir se esse paciente é curativo ou paliativo. Ambos os casos são devidamente tratados. Essa proposta de integração multidisciplinar, em que são envolvidas várias especialidades e seus profissionais, é a base do sucesso do tratamento do paciente”.

SINAIS DE ALERTA

Existem sinais de alerta e que devem ser observados por todos, como dor que tenha manutenção dos sintomas por mais de 3 semanas sem descoberta de uma causa definida, como torção, exercício físico em excesso ou por carregar peso de forma incorreta, por exemplo, e dor que passa com medicação, mas retorna após algum tempo. Uma pergunta a ser feita é se a dor é mais diurna ou noturna. As dores de aspecto tumorais são mais relacionadas ao período noturno. Se a pessoa sente mais dor à noite, se piora, não cessa, ou seja, também sente nas outras horas do dia, é um sinal de alerta. Dor prolongada associada com outros sintomas, como edema e massa, também são sinais de alerta. Ao examinar um paciente com queixa de dor, o médico pode prescrever uma medicação e em torno de 95% dos casos é possível uma melhora. Porém, nos casos em que o paciente não apresenta melhoras, a recomendação é realizar exames de imagem, dando-se início à diferenciação de investigação. “Conversar com o paciente e examinar é fundamental para a construção do diagnóstico”, salienta Dr. Diego.

As metástases ósseas afetam 3 em cada 4 pacientes com câncer avançado de mama e próstata, cerca de 30 a 40% dos pacientes com câncer de pulmão, rim e tireoide e causam muita dor. O médico esclarece que “o local mais comum de acometimento metastático é a coluna vertebral, principalmente toracolombar (vértebras nas regiões torácica e lombar), e o segundo local mais acometido é o fêmur proximal (quadril), estando a bacia em terceiro.”

FORMAS DE TRATAMENTO

Para doenças benignas que afetam tanto o osso quanto as partes moles a opção é cirúrgica, com ressecção da lesão ou com ressecção com substituição por próteses. Já para as lesões malignas ósseas é necessário o acompanhamento do oncologista clínico, que poderá recomendar quimioterapia, na maioria das vezes antes da cirurgia ortopédica e após nova quimioterapia complementar, obedecendo o protocolo para cirurgias do osso. Para outras doenças malignas de partes moles o tratamento é cirúrgico com complementação de radioterapia, se for preciso, e quimioterapia. Vale ressaltar que o tratamento pode ser tanto de substituição por prótese ou com enxerto do próprio paciente (autólogo) ou ainda de um banco de ossos (homólogo). A maioria dos pacientes que tem metástase no osso está incluída em algum tratamento com imunoterapia ou terapia-alvo, com acompanhamento do oncologista clínico.

Para a redução da dor é recomendada uma associação medicamentosa, com analgésicos de baixa potência, intermediária (derivados de opioide) e opiácios, como morfina e metadona. Há também outras medicações mais modernas que vieram para complementar, como os moduladores neurais. Outra possibilidade de inibição da dor é o tratamento por bloqueios ou interrupções neurais de funcionamento para sinapse dolorosa. A redução de massa tumoral não conta ainda com tratamento medicamentoso.

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Assim, há que se ficar atento à máxima de que quanto mais precocemente se diagnosticar a doença, maior é a chance de cura. Cerca de 10% a 15% dos pacientes com câncer maligno no osso podem chegar com metástases no diagnóstico. Por isso é fundamental uma avaliação para oferecer o melhor tratamento ao paciente.