IOP – Instituto de Oncologia do Paraná

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Fique alerta aos sinais que podem indicar um glioma

Quando o tumor é diagnosticado em fase inicial, a sobrevida e qualidade de vida do paciente após o tratamento é maior

Dados estatísticos do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que 4% das mortes por câncer no Brasil estão relacionadas aos tumores cerebrais, originando-se do crescimento anormal das células que constituem o Sistema Nervoso Central.  Cerca de 42% desse total, incluindo os diagnósticos benignos, são gliomas. Considerados apenas os tumores malignos, 77% dos casos referem-se aos gliomas. A sua incidência é mais frequente em adultos entre os 35 e 70 anos de idade e não costuma ter ligação com o histórico familiar do paciente. Também existem casos, porém mais raros, em jovens e crianças. O neurocirurgião Samuel Dobrowolski, do Instituto de Oncologia do Paraná, (IOP), explica que os tumores podem ser subdivididos em gliomas de baixo grau (I e II) e alto grau (III e IV). O primeiro grupo apresenta um melhor prognóstico, enquanto o segundo são tumores mais agressivos.

Quando não diagnosticados no início, o tumor pode se desenvolver rapidamente e atingir o estágio mais avançado da doença. Por essa razão, é fundamental ficar atento aos sintomas. “O principal sinal de alerta é convulsão em pacientes que não apresentam históricos de crises convulsivas, mas dores de cabeças pontuais também devem ser levadas em considerações, principalmente quando acontecem em momentos iguais e com frequência, por exemplo, durante a madrugada. Quando o tumor aparece em uma área eloquente do cérebro os sintomas podem ser a diminuição de força, diferença na forma de caminhar, desvio do olhar, visão dupla e distúrbio da fala. Por essa razão, é fundamental buscar um especialista sempre que a pessoa sentir algo diferente, pois pode ser indício de um tumor cerebral.”

Após os sintomas, é necessária a realização de exames de tomografia ou ressonância, possibilitando descobrir em qual grau o tumor se encontra para, posteriormente, definir uma linha de tratamento. O grau de agressividade também é importante para definição do tratamento e prognóstico da doença. Quando diagnosticados em grau I, os gliomas podem ser tratados apenas com a cirurgia, enquanto o grau II tem a opção de cirurgia e quimioterapia, já em fases III e IV também tem indicação de radioterapia e quimioterapia como forma de complementar a cirurgia. A imunoterapia avança dia após dia e pode ser em pouco tempo um tratamento promissor para todos os gliomas. “O tratamento muda conforme o grau e o local onde o tumor está localizado. Se não estiver em uma área eloquente é possível fazer a retirada completa do local afetado, com uma ressecção supramarginal. Caso esteja em uma área importante do cérebro, é retirado apenas o tumor ou uma parte dele, evitando que o paciente tenha sequelas após a cirurgia”, exemplifica o neurocirurgião.

Assim como em todos os tratamentos contra o câncer, é de extrema importância possibilitar que o paciente tenha qualidade após os procedimentos. Visando essas melhorias, atualmente é realizada com muita frequência uma cirurgia onde o paciente fica acordado. Dessa maneira, se o tumor estiver localizado na região do cérebro responsável pela fala, por exemplo, é possível operar com essa técnica para verificar durante o processo se não está afetando nada. “Antes das cirurgias buscamos mapear toda a região para evitar comprometer qualquer área importante, mas com o avanço cirúrgico e com a utilização dessa técnica, que teve origem na França, é possível uma ressecção maior do tumor, oferecendo maior segurança com o propósito de se evitar sequelas ao máximo, e controle da doença. Buscamos oferecer tratamentos que mudem o prognóstico e proporcionem mais qualidade de vida, principalmente pelo fato da sobrevida do paciente, quando diagnosticados os tumores em grau I e II, sobe para 10 e 15 anos, e em estágio II e IV, em até dois anos sem recidiva”, finaliza Dr. Samuel Dobrowolski.

SINTOMAS QUE DEVEM SER LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO

Os tumores cerebrais possuem sintomas variáveis, dependendo da localização da lesão. Dentre os mais comuns na população destacam-se:

  • Dor de cabeça;
  • Alterações na fala, visão e audição;
  • Náuseas e vômitos persistentes;
  • Convulsões;
  • Dificuldade motora e sensitiva.