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Conheça mais sobre o câncer renal e o seu tratamento

Terapias-alvo são a pedra angular do tratamento de precisão

 O câncer renal está entre os 10 tumores mais comuns e afeta duas vezes mais homens que mulheres. Apesar de representar de 2 a 3% dos casos diagnosticados em adultos no Brasil, aproximadamente 30% dos pacientes descobrem que estão com a doença após a metástase. Por essa razão, é fundamental conhecer os sintomas para detectar o tumor em fase inicial. O médico urologista Jônatas Luiz Pereira, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que existem dois tipos principais de câncer renal primário: tumores renais corticais e tumores de células transicionais (tumores uroteliais). Esses dois tipos de câncer são diferentes na maneira como se desenvolvem e como se comportam com o tempo. Logo, a maneira como devem ser tratados também muda.

 Confira mais informações sobre o câncer renal na entrevista realizada com o especialista:

 Quais os principais sintomas do tumor?

A maioria dos tumores renais é encontrada por acaso, com exames de imagem, quando os médicos estão examinando os pacientes por outros problemas, como dor ou desconforto abdominal. Muitas vezes, esses tumores estão em um estágio inicial, antes que qualquer sintoma tenha se desenvolvido. Um em cada três tumores renais são considerados benignos (não cancerosos). O tumor de rim é inicialmente silencioso. Os sintomas normalmente aparecem em casos de doença avançada. Poucos pacientes apresentarão sintomas como dor no flanco, sangue na urina e massa abdominal palpável. Outros sintomas que podem estar presentes são a perda de peso sem causa aparente e a anemia.

 Como é o tratamento?

Diferentes terapias estão disponíveis para o tratamento das neoplasias renais. Uma equipe completa com especialistas em cirurgia, quimioterapia, radioterapia deve ser envolvida. Essa abordagem multidisciplinar ajuda a garantir a combinação de terapias que será mais eficaz para cada paciente. A cirurgia é muitas vezes tudo o que é preciso fazer para remover tumores nos rins que não se espalharam. Oferecemos várias abordagens para a cirurgia, incluindo técnicas minimamente invasivas que muitas vezes tornam a recuperação mais rápida.
Se o paciente tem tumores pequenos e a cirurgia não é a melhor abordagem, pode-se optar pela vigilância ativa ou pela ablação guiada por imagem para destruir o câncer. Este procedimento usa agulhas que superaquecem ou congelam o tecido doente. Para o câncer que se espalhou para além dos rins, podemos recomendar quimioterapia, radioterapia ou terapia imunológica – isoladamente ou em combinação.

 O paciente fica com alguma sequela?

Dependendo da situação, podemos usar uma abordagem cirúrgica aberta padrão ou uma técnica minimamente invasiva feita pela cirurgia robótica ou pela laparoscopia convencional. Na nefrectomia parcial, chamada de cirurgia poupadora de rim (ou preservadora de néfrons), removemos o tumor, mas deixamos o tecido renal saudável com o paciente. Isso é feito para que o paciente possa continuar a ter função renal normal. Às vezes, temos que remover todo o rim em um procedimento chamado de nefrectomia radical. Tumores grandes podem forçar a equipe responsável pelo tratamento a recomendar essa opção. Na maioria das vezes, os pacientes que ficam com rim único levam uma vida normal após a cirurgia.

 Quais as novidades no tratamento do câncer renal?

As grandes novidades são os avanços nas terapias-alvo, que melhoraram significativamente as opções de tratamento para pessoas com câncer renal nos últimos anos. As terapias-alvo são a pedra angular do tratamento de precisão, que usa informações sobre os genes e proteínas do câncer. Estas terapias são projetadas com a situação específica de cada paciente em mente.
Novos estudos sobre câncer renal são publicados com frequência. Recentemente, o estudo Carmena concluiu que para determinado grupo de pacientes o tratamento medicamentoso isolado não foi inferior ao tratamento cirúrgico somado ao medicamentoso.

 A imunoterapia é utilizada no tratamento?

Sim. Se o tumor de rim se espalhou para outro tecido do corpo, deve-se avaliar em equipe como o paciente se beneficiará com tratamentos sistêmicos como a imunoterapia ou a quimioterapia. Atualmente, existem clinical trials (estudo clínicos) com drogas imuno-moduladoras para diferentes cenários da doença.

 Falta conscientização da população para diagnósticos precoces?

Embora seja comum, o câncer de rim é menos frequente do que muitos outros tipos de câncer como o de próstata, mama, cólon e colo de útero. Geralmente, não há programas de rastreamento ou exames de rotina para a pesquisa dessa doença. No entanto, alguns hábitos são recomendados para que a população se mantenha saudável e diminua o risco de câncer renal, como cessar o uso de tabaco, exercitar-se regularmente, evitar ficar acima do peso e seguir uma dieta com baixo teor de gordura.