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Câncer nas glândulas salivares: o que você precisa saber para se cuidar

Câncer nas glândulas salivares.

Heloísa Périssé é atriz, dubladora, autora e roteirista brasileira, muito conhecida por suas participações em programas humorísticos. Mas nem sempre a vida imita a arte e nem só de alegrias vive o ser humano. Recentemente, ela veio a público contar sobre o que passou e como passou ao se descobrir com câncer.

Ao fazer um procedimento de branqueamento dentário, Heloísa, que já havia observado uma “bolinha” (que não doía e nem sangrava), perguntou ao dentista o que poderia ser aquilo. O profissional fez a retirada da bolinha e encaminhou para a biópsia, protocolo comum a esse tipo de procedimento. Pouco tempo depois, nova “bolinha” e novo tratamento para um câncer nas glândulas salivares.

Nós salivamos ao olhar um alimento gostoso e que desperta em nós a vontade em comê-lo, ao praticar exercícios físicos, ao dormir, trabalhar, enfim, o tempo todo, e nem prestamos atenção nesse ato mecânico do corpo humano. Mas é preciso estar atento aos sinais que o corpo nos dá. Se há algo estranho na boca, que surgiu de repente e não desaparece ou que está em crescimento, a orientação é procurar um cirurgião de cabeça e pescoço. A identificação precoce juntamente com um tratamento adequado são as melhores formas de se obter o controle da doença.

A cancerologista e cirurgiã de cabeça e pescoço Marja Cristiane Reksidler, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, explica que as glândulas salivares são estruturas (tecidos) especializadas na produção de saliva. A saliva, por sua vez, serve para lubrificar a boca, preparando os alimentos para a digestão. Essas glândulas são divididas de acordo com seu tamanho em glândulas salivares maiores (parótidas, submandibulares e sublinguais) e as glândulas salivares menores.  “Quanto à localização, as glândulas salivares maiores são pares, uma de cada lado. As parótidas são as maiores e se localizam na região à frente da orelha, sobre a região lateral da face. Já as glândulas submandibulares ficam abaixo da língua e da mandíbula e as sublinguais sob o assoalho da boca. As glândulas salivares menores são pequenas (não visíveis) e ficam espalhada por toda a boca, principalmente no palato (céu da boca)”, explica a médica.

Os cânceres das glândulas salivares são considerados raros, correspondem a cerca de 0,3 a 1% de todos os tumores malignos e 5% dos tumores malignos de cabeça e pescoço. Os principais tipos de tumores malignos são o carcinoma mucoepidermoide e o carcinoma adenoide cístico. Os tumores são mais comuns nas glândulas parótidas, seguidos das submandibulares, glândulas salivares menores e por último as sublinguais. Os tumores mais frequentes das glândulas parótidas são benignos (60%), já nas glândulas submandibulares e glândulas salivares menores 50% são malignos. Homens são mais suscetíveis ao aparecimento da doença do que as mulheres e a incidência aumenta com o decorrer da idade.

Sintomas e diagnóstico

Dra. Marja cita os principais sintomas do câncer de glândulas salivares como nódulo ou inchaço nas bochechas, na região anterior ao ouvido, no pescoço (abaixo da mandíbula) ou na boca. “Muitas vezes é possível observar uma diferença de tamanho entre um lado e outro da face. Além disso, temos ferida na boca que não melhorou após um mês, principalmente no céu da boca; dor na boca, mandíbula, ouvidos ou pescoço que não melhoram mesmo com uso de analgésicos comuns e diminuição ou perda da mobilidade de um dos lados da face.”

De acordo com a cirurgiã, em muitos casos a avaliação e o exame clínico realizado pelo especialista em cabeça e pescoço já levam à suspeita do diagnóstico e a indicação do tratamento. “Podem ser solicitados exames de imagem para avaliar melhor a extensão e o aspecto da lesão. Inicialmente uma ultrassonografia, porém se há a suspeita de uma lesão com infiltração de estruturas próximas ou mais profundas, geralmente complementamos com uma tomografia computadorizada. E nos casos com alterações dos movimentos de um lado da face ou paralisia facial, podemos ainda pedir uma ressonância magnética para avaliar comprometimento do nervo facial. Há também a possibilidade de se solicitar a punção aspirativa com agulha fina (PAAF) do nódulo, guiada por um exame de imagem, geralmente a ultrassonografia, para ajudar a definir se a lesão é maligna ou benigna, porém esse exame muitas vezes não consegue fornecer um diagnóstico preciso antes do tratamento definitivo.

Formas de tratamento

A principal forma de tratamento para o câncer de glândula salivar é cirúrgica e o tipo da cirurgia vai depender de qual glândula desenvolveu o tumor e de qual é a sua extensão.

Nos tumores de parótida a cirurgia indicada é a parotidectomia total. Já a cirurgia da glândula submandibular é realizada através de uma incisão na região do pescoço (logo abaixo a mandíbula). Essa glândula está próxima a nervos relacionados à mobilidade e sensibilidade da língua e próxima também de um ramo do nervo facial que é responsável pela mobilidade do lábio daquele lado. A cirurgia também é indica para os tumores de glândulas salivares menores, que acometem mais frequentemente o palato (o céu da boca). “A radioterapia é indicada para alguns casos e pode ser usada de forma a complementar a cirurgia”, destaca a doutora Marja Cristiane Reksidler.